Rafael Henrique's posts with tag: saci
 Qualquer semelhança com o Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, do ano de 1928, não se trata de mera coincidência! Só o saci nos une. Sacialmente. Etnicamente. Culturalmente. No ano 449 da deglutição do Bispo Sardinha em Piratininga, e 75 anos após o lançamento do Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, os saciólogos desta terra vão, aos pulos, convergindo em torno da única lei justa do mundo globalizado. O saci resgata nossa identidade, nossas raízes, o xis da questão tupi. Contra todas as catequeses do Império só nos interessa o que não é deles. A lei do saci. Estamos fatigados de todos os colonialismos travestidos de drama roliudiano. O cinema americano devorando corações e mentes. Demente. No país onde dá status ter casa em Maiami e comprar em sales com 20% off. Estacionar no valet parking e pedir comida delivery. Por isso fazemos eco ao brado oswaldiano, contra todos os importadores da consciência enlatada. Oswald ainda grita, resquícios do nheengatú ecoando ao longe. Nunca admitimos o nascimento de Jeca Tatu entre nós. Só que o Jeca de Lobato resiste. Ele resiste ao Pato Donald, aos Poquemons, ao Raloim, às bruxas do Bush.
O instinto do Saci. Só Saci. Um Saci contra as histórias do homem que começam no Cabo Canaveral. A fixação do progresso por meio de catálogos e aparelhos de televisão. E os transfusores de sangue. Das veias abertas da América Latina. Antes dos norte-americanos ocuparem o Brasil, o saci já tinha descoberto a felicidade. Definida pela sacizidade de um antropófago, o próprio Saci. A transfiguração da Abóbora em carne seca. Antropofagia. Absorção do inimigo abóbora.
A nossa independência já foi proclamada no 7 de Setembro, em São Luís do Paraitinga. Expulsamos o imperialismo travestido de globalização hegemônica. Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada em Washington e Londres, a realidade sem complexos e sem penitenciárias do saciarcado de Pindorama.
São Luis de Paraitinga, 31 de outubro de 2003, ano da deglutição final da abóbora Texto e ilustrações extraídos do Sítio da Sociedade dos Observadores de Sacis (www.sosaci.org).
Me lembro bem de que, certa vez, há vários anos, a Cia Brasileira de Distribuição, mais conhecida como Grupo Pão de Açúcar (dona das redes de supermercados Pão de Açúcar, Extra, Compre Bem e Sendas), esteve à beira da falência.
Para se reerguer, adotaram campanhas publicitárias apelando ao patriotismo do povo brasileiro que, embora seja muito pouco, foi suficiente para aumentar a arrecadação das empresas do grupo, que se expandiu e aumentou muito seus lucros.
Na ocasião, as lojas da rede Pão de Açúcar adoram o slogam " Orgulho de Ser Brasileiro", e passaram a se apresentar como uma alternativa nacional diante das grandes companhias estrangeiras do ramo, como Wall Mart e Carrefour, que se expandiam rapidamente pelo território brasileiro. Na época, era comum ver uma bandeira do Brasil hasteada diante das lojas do Pão de Açúcar.
Os dias difíceis se foram, o "orgulho de ser brasileiro" também: já faz tempo que eu não via a bandeira brasileira hasteada diante da loja do Pão de Açúcar que eu costumava freqüentar. Ontem, 27 de outubro de 2007, ao chegar à loja para fazer minhas compras da semana, me deparei com uma pilha de abóboras com caretas pintadas e uma placa onde se lia "gostosuras ou travessuras", colocada sobre um monte de pacotes de balas industrializadas.
Gostosuras são paçocas e pés-de-moleque. E travessura é coisa de saci. Mas cadê as gostosuras bem brasileiras? E cadê o saci? Só havia abóboras feias fazendo careta para mim. E a carne seca? Abóbora se come com carne seca, ou com camarão. Mas... Com careta? Cara feia deve dar indigestão!
Como todos sabem, o dia 31 de outubro está próximo, e neste dia os povos de língua inglesa têm sua principal festa folclórica: o Halloween. Mas o que o Halloween tem a ver com o Brasil? Nós, brasileiros, não temos nenhum elo cultural com esta festa que vem sendo introduzida no Brasil pelas escolas de inglês e pela poderosíssima máquina de predação cultural americana. Nós, na condição de subdesenvolvidos, vemos uma cultura que não é nossa ser imposta ao nosso povo, enquanto a nossa verdadeira cultura vai se perdendo.
Então me lembro do Manifesto Antropofágico de Mário de Andrade, escrito no ano 374 da Deglutição do Bispo Sardinha. O índio brasileiro, antropófago que era, cozinhava no caldeirão e, ao ver o Bispo Sardinha, europeu desavizado que passava por ali, o jogou no caldeirão e o devorou. E foi assim que diversos povos foram chegando ao Brasil e misturando sua cultura ao caldo que era cozido no caldeirão. As diferentes culturas se integraram perfeitamente bem: o saci foi aprender capoeira com os escravos e perdeu a perna, depois ganhou uma carapuça vermelha dos europeus. Os negros grudaram uma cabaça no arco do índio, criando o berimbau. O cavaquinho português se introsou com o reco-reco marroquino, as caixas alemãs, o surdo e a cuíca nativos do brasil, e formaram o samba. Mais tarde o samba se juntou ao jazz para virar bossa-nova.
O interessante em todos estes casos é notar a interação entre diferentes culturas. Dessa interação surgem novidades que, mais do que um incremento à cultura das terras de além-Tejo, se transformam em referência cultural no mundo todo.
Agora faço a pergunta: De que vale este Halloween intruso? Esta cultura predatória que em nada nos acrescenta? Quem compra comida enlatada jamais desenvolve uma nova iguaria. É preciso haver interação, deglutição, e não predação.
O que mais me preocupa é que, quando chega alguma lata de sardinha importada, não a deglutimos como fizemos com o Bispo Sardinha, porque o caldeirão está vazio. As escolas para crianças ensinam inglês e promovem festas de Halloween. Oferecem Coffe Breaks para os pais dos alunos e vendem, em suas cantinas, donuts, x-eggs e croissants. Escolas maravilhosas. O único pequeniníssimo defeitinho que elas têm é o de não cumprirem seu papel de escola: o de encher o caldeirão das crianças com estórias de sacis, iaras e curupiras.
Não defendo uma cultura estática, visto que cultura estática é cultura morta. A cultura está em permamente evolução. Mas para evoluir é necessário termos a base, a nossa essência cultural, para interagir com as novidades, se alimentar delas, comer a abóbora e transformá-la em energia para o povo tupiniquim.
É exatamente por isto que costumo divulgar o famoso slogan "Ralouim só se for com carne seca". Abóbora com carne seca é um prato típico brasileiro servido todos os anos pelos restaurantes de São Luís do Paraitinga no dia 31 de outubro, dia em que comemoramos o "Dia do Saci e Seus Amigos". Nesta cidade acontece a maior comemoração do Dia do Saci no Brasil. É o ralouim caipira, a deglutição da abóbora que chega ao Brasil como predadora e acaba virando presa, exatamente como o Bispo Sardinha.
O Grupo Pão de Açúcar, comandado por um empresário que malha com "personal trainer", defende a predação cultural americana, surfando na onda do "Dia das Bruxas" para atrair a simpatia de adolescentes com caldeirões vazios que, na necessidade àvida de identidade cultural, enchem seus caldeirões com as abóboras de careta e as balas de Corante Caramelo IV. Os empresários não percebem que os trocados a mais que eles ganham com isso poderão nos levar a uma perda de identidade cultural que facilitaria muito as investidas de redes americanas de supermercados no Brasil, levando-os à falência definitivamente.
A um povo que perde sua cultura só resta a morte. Chega de cultura enlatada! Chega de predação cultural! Uma rede de supermercados que diz ter "orgulho de ser brasileira" oferecendo "gostosuras ou travessuras" não merece nosso dinheiro. Vamos dá-lo aos donos dos pequenos mercados, cidadãos brasileiros que trabalham duro no dia-a-dia para manter suas lojas abertas competindo com as grandes redes. E ainda conseguem juntar um dinheirinho para enfeitar a loja com serpentinas durante o carnaval ou doar (sem descontar do imposto de renda) a alguma instituição de caridade na época do natal.
Clique aqui para assinar o abaixo-assinado pela criação do Dia do Saci.
Clique aqui para enviar uma mensagem de repúdio ao Grupo Pão de Açúcar.
 | Category: | Books | | Genre: | Other | | Author: | Djota Carvalho |
Passei um dia muito agradável lendo este livro recheado de idéias geniais (ou seriam saciais?). É uma leitura gostosa capaz de imergir qualquer pessoa no incrível mundo dos Sacis. É fascinante a maneira como o autor desenvolve a estória, dialogando com narrativas de outros autores e com acontecimentos como a final da Copa de 50, o ET de Varginha, a explosão de uma fábrica de fogos de artifício no nordeste, o furacão Catarina e tornado de Indaiatuba. Trata-se da primeira obra de Djota Carvalho, escritor que demonstra ser bastante competente e ter excelentes idéias, apesar de, na minha opinião, ainda precisar de um pequeno amadurecimento literário. Espero que ele dê continuidade à estória de Samanta Cidreira nos seus próximos livros. 
Link: http://www.turmadosaci.com/Página muito interessante sobre o folclore brasileiro. Vale a pena dar uma conferida. As animações em flash, os jogos e estórias tornam esta página muito didática e divertida, ajudando a despertar o interesse das crianças pelo nosso folclore.
Link: http://www.sosaci.org/Sítio da Sociedade dos Observadores de Saci, onde são reunidas história de sacis, desenhos de sacis, entre outras coisas. Não deixe de assinar o abaixo-assinado pela criação do Dia do Saci. Precisamos proteger essas criaturinhas indefesas!
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