Rafael Henrique's posts with tag: opinião

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 Dizem que o urso bailarino do circo é treinado da seguinte maneira: colocam-no sobre uma chapa metálica quente ouvindo uma música tocar e a elevada temperatura da chapa faz com que o urso se mova como se estivesse dançando. Durante a apresentação, o urso, já treinado (leia-se traumatizado), ouve a música e imediatamente se lembra da chapa metálica quente sob seus pés, de modo que ele dança mesmo sem estar, de fato, sentindo suas patas queimarem.

 Este processo é tão traumatizante quanto o processo de adestramento de alunos utilizado pelo Instituto de Física "Gleb Wataghin", da Unicamp, que reproduz, de maneira um pouco mais cruel, a mesma ideologia adotada para o ensino de ciências exatas pela maioria das instituições de ensino superior brasileiras: o adestramento ao invés do ensino propriamente dito.

 No início do curso, talvez com o objetivo de evitar a evasão massiva de alunos, o instituto nos mostra um mundo novo: uma física extremamente conceitual que exige reflexão e uma base teórica sólida.

 Após certo tempo, ao invés de manter-se nessa trajetória, o curso muda radicalmente, se transformando em mero processo de adestramento que se resume em decoreba de fórmulas matemáticas que não se sabe de onde vem nem para que servem: é o urso sobre a chapa quente pulando em desespero sem saber porque.

 O processo de ensino-aprendizagem, velho conhecido dos estudantes de licenciaturas, mas desprezado pelos professores do IFGW, é um processo de troca, e não de transmissão de conhecimento como vem ocorrendo no IFGW. O professor, ao invés de incentivar o espírito investigativo do aluno, o despreza, reduzindo um dos cursos mais ricos filosoficamente que pode existir em mero processamento de algoritmos. Não deveria ser este o trabalho dos computadores?

 O físico deve ser, antes de mais nada, humano, e o homem é um ser que pensa. O computador não pensa, apenas processa algorítmos maquinalmente, da mesma maneira que os estudantes do IFGW. Fórmulas são decoradas e usadas para resolver listas de exercícios gigantescas. Pura repetição da mesmície.

 Como conseqüência disto, a evasão no curso de física é gigantesca e poucos conseguem se formar, mesmo licenciados, visto que, até 2005, todos os alunos que optavam por licenciatura recebiam formação de bacharel, apesar de não terem o título correspondente. Quem sofre são os estudantes de ensino médio que, ao invés de aulas de física, têm aulas-vagas, já que não há professores suficientes para ensiná-los e os quase-professores que sempre foram os melhores alunos de suas respectivas turmas de ensino médio e passaram em um dos mais concorridos vestibulares do país são considerados inaptos para dar aulas, mesmo quando só lhes faltam disciplinas como Física do Estado Sólido e Métodos Matemáticos para Física, que só reproduzem a chapa quente do urso e têm ementas distantes da realidade do ensino médio, não contribuindo em nada para a formação do professor.

 Quando urso e físico terminam seu processo de adestramento, ambos viram atração de circo.


Blog EntryBoicote ao Grupo Pão de AçúcarOct 28, '07 8:56 PM
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    Me lembro bem de que, certa vez, há vários anos, a Cia Brasileira de Distribuição, mais conhecida como Grupo Pão de Açúcar (dona das redes de supermercados Pão de Açúcar, Extra, Compre Bem e Sendas), esteve à beira da falência.

Para se reerguer, adotaram campanhas publicitárias apelando ao patriotismo do povo brasileiro que, embora seja muito pouco, foi suficiente para aumentar a arrecadação das empresas do grupo, que se expandiu e aumentou muito seus lucros.

    Na ocasião, as lojas da rede Pão de Açúcar adoram o slogam " Orgulho de Ser Brasileiro", e passaram a se apresentar como uma alternativa nacional diante das grandes companhias estrangeiras do ramo, como Wall Mart e Carrefour, que se expandiam rapidamente pelo território brasileiro. Na época, era comum ver uma bandeira do Brasil hasteada diante das lojas do Pão de Açúcar.

    Os dias difíceis se foram, o "orgulho de ser brasileiro" também: já faz tempo que eu não via a bandeira brasileira hasteada diante da loja do Pão de Açúcar que eu costumava freqüentar. Ontem, 27 de outubro de 2007, ao chegar à loja para fazer minhas compras da semana, me deparei com uma pilha de abóboras com caretas pintadas e uma placa onde se lia "gostosuras ou travessuras", colocada sobre um monte de pacotes de balas industrializadas.

    Gostosuras são paçocas e pés-de-moleque. E travessura é coisa de saci. Mas cadê as gostosuras bem brasileiras? E cadê o saci? Só havia abóboras feias fazendo careta para mim. E a carne seca? Abóbora se come com carne seca, ou com camarão. Mas... Com careta? Cara feia deve dar indigestão!

    Como todos sabem, o dia 31 de outubro está próximo, e neste dia os povos de língua inglesa têm sua principal festa folclórica: o Halloween. Mas o que o Halloween tem a ver com o Brasil? Nós, brasileiros, não temos nenhum elo cultural com esta festa que vem sendo introduzida no Brasil pelas escolas de inglês e pela poderosíssima máquina de predação cultural americana. Nós, na condição de subdesenvolvidos, vemos uma cultura que não é nossa ser imposta ao nosso povo, enquanto a nossa verdadeira cultura vai se perdendo.

    Então me lembro do Manifesto Antropofágico de Mário de Andrade, escrito no ano 374 da Deglutição do Bispo Sardinha. O índio brasileiro, antropófago que era, cozinhava no caldeirão e, ao ver o Bispo Sardinha, europeu desavizado que passava por ali, o jogou no caldeirão e o devorou. E foi assim que diversos povos foram chegando ao Brasil e misturando sua cultura ao caldo que era cozido no caldeirão. As diferentes culturas se integraram perfeitamente bem: o saci foi aprender capoeira com os escravos e perdeu a perna, depois ganhou uma carapuça vermelha dos europeus. Os negros grudaram uma cabaça no arco do índio, criando o berimbau. O cavaquinho português se introsou com o reco-reco marroquino, as caixas alemãs, o surdo e a cuíca nativos do brasil, e formaram o samba. Mais tarde o samba se juntou ao jazz para virar bossa-nova.

    O interessante em todos estes casos é notar a interação entre diferentes culturas. Dessa interação surgem novidades que, mais do que um incremento à cultura das terras de além-Tejo, se transformam em referência cultural no mundo todo.

    Agora faço a pergunta: De que vale este Halloween intruso? Esta cultura predatória que em nada nos acrescenta? Quem compra comida enlatada jamais desenvolve uma nova iguaria. É preciso haver interação, deglutição, e não predação.

    O que mais me preocupa é que, quando chega alguma lata de sardinha importada, não a deglutimos como fizemos com o Bispo Sardinha, porque o caldeirão está vazio. As escolas para crianças ensinam inglês e promovem festas de Halloween. Oferecem Coffe Breaks para os pais dos alunos e vendem, em suas cantinas, donuts, x-eggs e croissants. Escolas maravilhosas. O único pequeniníssimo defeitinho que elas têm é o de não cumprirem seu papel de escola: o de encher o caldeirão das crianças com estórias de sacis, iaras e curupiras.

    Não defendo uma cultura estática, visto que cultura estática é cultura morta. A cultura está em permamente evolução. Mas para evoluir é necessário termos a base, a nossa essência cultural, para interagir com as novidades, se alimentar delas, comer a abóbora e transformá-la em energia para o povo tupiniquim.

    É exatamente por isto que costumo divulgar o famoso slogan "Ralouim só se for com carne seca". Abóbora com carne seca é um prato típico brasileiro servido todos os anos pelos restaurantes de São Luís do Paraitinga no dia 31 de outubro, dia em que comemoramos o "Dia do Saci e Seus Amigos". Nesta cidade acontece a maior comemoração do Dia do Saci no Brasil. É o ralouim caipira, a deglutição da abóbora que chega ao Brasil como predadora e acaba virando presa, exatamente como o Bispo Sardinha.

    O Grupo Pão de Açúcar, comandado por um empresário que malha com "personal trainer", defende a predação cultural americana, surfando na onda do "Dia das Bruxas" para atrair a simpatia de adolescentes com caldeirões vazios que, na necessidade àvida de identidade cultural, enchem seus caldeirões com as abóboras de careta e as balas de Corante Caramelo IV. Os empresários não percebem que os trocados a mais que eles ganham com isso poderão nos levar a uma perda de identidade cultural que facilitaria muito as investidas de redes americanas de supermercados no Brasil, levando-os à falência definitivamente.

    A um povo que perde sua cultura só resta a morte. Chega de cultura enlatada! Chega de predação cultural! Uma rede de supermercados que diz ter "orgulho de ser brasileira" oferecendo "gostosuras ou travessuras" não merece nosso dinheiro. Vamos dá-lo aos donos dos pequenos mercados, cidadãos brasileiros que trabalham duro no dia-a-dia para manter suas lojas abertas competindo com as grandes redes. E ainda conseguem juntar um dinheirinho para enfeitar a loja com serpentinas durante o carnaval ou doar (sem descontar do imposto de renda) a alguma instituição de caridade na época do natal.

Clique aqui para assinar o abaixo-assinado pela criação do Dia do Saci.

Clique aqui para enviar uma mensagem de repúdio ao Grupo Pão de Açúcar.


Blog EntryCansei dos protestos contra a CPMFAug 17, '07 10:11 AM
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Depois do Cansei, movimento da elite protestando contra os impostos altíssimos que eles sonegam e contra a corrupção que, segundo eles, existe no atual governo mas jamais existiu antes, agora a elite também quer o fim da CPMF.

A Fiesp, instituição parasitária que reúne os grandes empresários do país e tem por objetivo defender os interesses destes empresários (e não do povo) está realizando um abaixo-assinado para impedir que a CPMF seja prorrogada, alegando que o imposto foi criado com o objetivo de melhorar a saúde pública, porém nenhuma melhora ocorreu durante os onze anos de vigência da CPMF.

Agora eu pergunto a estes "çábios" empresários: algum de vocês já foi atendido pelo SUS? No ano retrasado tive o privilégio de debater a situação da saúde pública com pessoas que trabalham com políticas públicas neste área e eles me apresentaram o resultado de uma pesquisa de opinião muito interessante: desde o início do governo Lula, a maioria dos usuários do SUS têm considerado que a saúde pública no Brasil tem melhorado, enquanto que, entre os não-usuários do SUS, há a crença de que a saúde pública não melhorou ou até piorou.

Os serviços básicos do SUS ainda deixam muito a desejar, em muitos lugares o atendimento é demorado, faltam remédios, etc. Porém, é necessário lembrar que, aos poucos, a situação está, sim, melhorando, e não é da noite para o dia que o SUS, outrora sucateado, irá se transformar em referência em atendimento na área de saúde. Convém lembrar que o Brasil tem a maior campanha de vacinação do mundo, as maiores campanhas de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis, uso de álcool, tabaco e drogas do mundo, e os serviços especializados do SUS são excelentes.

Voltando a falar da CPMF, é um instrumento poderoso no combate ao caixa dois das empresas, pois permite ao governo ter mais controle sobre as operações bancárias de pessoas físicas e jurídicas, ajudando também no combate à lavagem de dinheiro e na descoberta de esquemas de pagamento de propinas, entre outras atividades ilegais. Um exemplo interessante seria, através da CPMF, identificar rapidamente que um certo empresário ou algum laranja depositou dinheiro na conta de algum prefeito ou governador em troca de favorecimento em licitações.

Por fim, sabe-se que quem tem mais dinheiro efetua mais movimentaçõies bancárias e, conseqüentemente, paga mais CPMF, enquanto as pessoas mais pobres, que só usam banco para receber pagamento e pagar contas, pagam uma quantia pífia de CPMF. Portanto, a CPMF é um imposto justo, pois tira mais dinheiro de quem tem mais, e menos de quem tem menos, ao contrário do imposto que se paga ao comprar um pacote de bolachas, que onera da mesma forma todas as classes sociais. Se o problema é reduzir a arrecadação do governo em R$ 37 bilhões ao ano, façamos isso reduzindo outro imposto, já que, dessa forma, beneficiaríamos as classes sociais que realmente precisam de cada centavo que possam poupar.

Em tempo: é importante lembrar que a elite que reclama da corrupção e da CPMF é a mesma que financia as campanhas dos corruptos, manipula a opinião pública através dos meios de comunicação, sonega impostos e elege governantes para defender seus interesses. Historicamente, sempre que o Brasil teve um governo que efetivamente tratou todos os brasileiros como iguais, equilibrando a balança da justiça, a elite se levantou contra o governo, usando todo seu poder político para tentar derrubá-lo. Da última vez que isto aconteceu, foi logo antes do Golpe de 64. Agora, que essa elite não está conseguindo derrubar o governo, faz discursos inflamados defendendo ideologias fascistas e extremamente preconceituosas, como a de Eliana Castanhêde, que diz que Lula foi reeleito pelas "pessoas simples", pois as pessoas complicadas e bem informadas sabem que Lula não presta, apesar de ter recebido um país em crise e agora termos uma realidade bem diferente, com o PIB crescendo, exportações aumentando, portos operando no limite, empregos sendo gerados e a renda per capita do brasileiro aumentando.

Recentemente fiquei chocado ao ler um artigo de Arnaldo Jabor dizendo que "brasileiro é burro" e dizendo para os "brasileiros inteligentes" não desanimarem porque um dia este governo cairá e as "pessoas de bem reassumirão o poder". Quem são essas "pessoas de bem" a quem Jabor se refere? Um novo Médici e velhos caciques da nossa política que sempre se aproveitaram do povo? Os políticos que restaram da ARENA e atualmente estão no DEM?

Pior do que isso, só entrar no site extremamente democrático do Cansei (onde ninguém pode postar suas opiniões) e ler declarações de grandes intelectuais brasileiros, como Ivete Sangalo e Ana Maria Braga, apoiando este movimento.

Eu também cansei: cansei de gente hipócrita. Cansei de uma elite que suga o sangue do trabalhador brasileiro e põe a culpa no governo. Cansei dos cartéis das empresas da Fiesp, que aumentam suas margens de lucro e impedem a livre concorrência de mercado. Cansei de ver uma elite dizer que se envergonha do Brasil sem fazer nada para melhorá-lo. Cansei de ouvir a mídia culpar o Lula pelos acidentes aéreos da TAM e da Gol. Cansei da sonegação de impostos. Cansei de quem só se mobiliza para defender interesses de quem sempre mandou no Brasil. Cansei de ver nosso país sendo vendido a preço de banana. Cansei de ser chamado de ignorante por ter votado no Lula. E só para esclarecer a Arnaldo Jabor: não votei no Lula por ter pena de um desempregado, mas porque o considero melhor do que qualquer tucano para governar nosso país.


Blog EntryA crise elíticaJul 31, '07 11:56 AM
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A tal "crise aérea" nada mais é que uma manobra de uma mídia golpista que transforma acontecimentos banais em shows de sensacionalismo.

Ao contrário do que diz a mídia, a infra-estrutura aeroportuária não parece ser responsável pela tal "crise", afinal, essa tal "crise" começou da noite para o dia e, se o problema fosse estrutural, os atrasos nos vôos deveriam começar lentamente, demonstrando um processo de saturação dos aeroportos e da capacidade do controle de tráfego aéreo. Em outras palavras, a quantidade de aviões em certo aeroporto não vai dobrar da noite para o dia, portanto, não se justifica com tal argumento o fato de um dia termos tudo tranqüilo nos aeroportos e, de repente, termos filas enormes e passageiros sem conseguir embarcar.

O fato é que a tal "crise" começou justamente quando a Varig encerrou suas atividades, deixando um vazio enorme nos nossos aeroportos, um buraco a ser preenchido pelas demais empresas de aviação, especialmente pela Gol e pela TAM. As empresas aéreas, para receber os passageiros que antes viajavam pela Varig, criaram novas linhas sem haver muito planejamento. Adiciona-se a este fato o costume dessas empresas de fazer escalas nas linhas menos movimentadas visando maximização dos lucros. Como toda essa modificação gigantesca nos horários dos vôos teve que ser feita ás pressas, houve pouco planejamento e, conseqüentemente, foi gerado o caos.

Não vou negar que parte desta culpa é da ANAC, que é responsável pela homologação destas mudanças. Porém, cabe às empresas aéreas a maior parte da culpa. A mídia golpista que não esconde sua desaprovação ao presidente Lula foi logo dando um jeito de empurrar toda a culpa para cima do governo. Um exemplo recente são as notícias do aumento das vendas de passagens de ônibus. Ora, todo mundo sabe que julho é época de férias para muita gente e sempre teve aumento das vendas de passagens de ônibus nesta época do ano, especialmente na semana passada, quando as férias estavam acabando.

Quanto ao excesso de trabalho dos controladores de vôo e à obsolência dos equipamentos usados por eles, é um problema muito antigo, mas que, estranhamente, só ganha espaço na mídia quando há algum acidente aéreo. Acredito que a segurança dos vôos no Brasil é um tema de interesse público e deveria ter espaço constante na mídia, no entanto, no Brasil a mídia só se lembra destes problemas em momentos de tristeza e revolta, quando a sociedade está em busca de um bode expiatório e aceita com facilidade a idéia de culpar o governo. Este fato chega ao absurdo quando vemos na tv, uma semana após o acidente com o avião da TAM, a denúncia de que há vários prédios irregulares ao redor de aeroportos do país. Onde estavam os repórteres quando as prefeituras autorizaram as contruções? Eles não têm um compromisso de denunciar irregularidades à sociedade? Essa forma de jornalismo irresponsável só prejudica o desenvolvimento do Brasil.

Para piorar, vemos repórteres que nada sabem sobre aviões a não ser que eles possuem asas discutindo detalhes técnicos das aeronaves e dando palpites sobre a tal "crise", palpites estes que nada mais são do que misturas de clichês com conceitos intuitivos tecnicamente errados. No entanto, a mídia brasileira, que há muito tempo deixou de informar para servir como meio de manipulação da opinião pública, quer usar seu poder para arranhar a imagem do presidente Lula, que chega a ser chamado de ditador em uma coluna de jornal, sendo que Lula é um dos maiores ícones das Diretas Já e, ao contrário de FHC, não tenta abafar escândalos e CPIs e nem manda a tropa de choque bater em manifestantes, ao contrário do governador Serra que governa por decretos e se recusa a negociar com estudantes que ele, ex presidente da UNE, chama de baderneiros.

O mais estranho  neste caso é que, aos olhos de um outsider, o governo de Lula pouco difere do de FHC, pelo menos no que diz respeito ao campo econômico. No entanto, a mesma mídia que sempre declarou amor a FHC e aos tucanos (e preservou a imagem do PSDB durante a tragédia do metrô), ataca Lula. Sempre mostraram FHC como o salvador da pátria. Já Lula é mostrado como um imcompetente que está levando o Brasil para o buraco.

A atuação da mídia golpista e elitista chega ao absurdo de chamar o eleitor de Lula de burro, como se pode notar claramente em certos jornais. Parece que o único motivo de tanto ódio a Lula é o fato de ele ser um intruso em Brasília, que sempre foi dominada por velhos caciques da nossa política que nasceram em berços de ouro e jamais se preocuparam com o povo. A elite se envergonha em saber que um operário que já passou fome e teve um dedo amputado enquanto trabalhava agora é presidente da república.

Mais ridículo ainda é a revolta da elite por causa dos "altos impostos, corrupção e impunidade". Eles são uns santos!

O Brasil precisa de um jornalismo responsável e comprometido com a verdade e a imparcialidade. Mas enquanto mantivermos nossa herança colonial de coronéis e aristocratas oportunistas, continuaremos sendo chamados de burros quando adotarmos opiniões não-fascistas e, especialmente, quando legitimarmos o direito à igualdade entre todos os cidadãos brasileiros. Nesse cenário, a internet surge como uma terceira via de comunicação, onde pessoas comuns, como eu, podem dar suas opiniões, ver no youtube tudo o que a globo se recusa a mostrar, ler o artigo que o estadão se recusa a publicar, enfim, conhecer também o outro lado da história.

Eu, assim como muitos brasileiros, já estou farto do colunismo da mídia. Talvez isto explique porque a internet está se tornando tão popular no Brasil.

Clique aqui para ler um excelente artigo de Marilena Chauí sobre a "crise aérea".

Clique aqui para ler um artigo de Paulo Henrique Amorim sobre o acidente da TAM

Attachment: TAM.ppt

Blog EntryPor dentro da Reitoria OcupadaJun 1, '07 4:41 PM
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Execelente texto do Celso Lungaretti, sobre a ocupação da reitoria da USP e a perseguição da mídia aos estudantes.

POR DENTRO DA REITORIA OCUPADA

Celso Lungaretti (*)

A última segunda-feira de maio é ensolarada, uma exceção no invernal outono paulistano. As pessoas ao redor da reitoria da Universidade de São Paulo, ocupada pelos estudantes desde o dia 3, mostram aquela animação habitual de quem reencontra o calor e o céu azul, após vários dias frios e cinzentos.

Conversam, brincam, confraternizam. Há líderes de servidores públicos se revezando num alto-falante para instruir/entreter quem chegou adiantado à reunião da categoria que terá lugar ali mesmo, ao ar livre. Ninguém parece preocupar-se com uma invasão da Polícia Militar, para cumprir o mandado de reintegração de posse concedido pela Justiça.

Uma barricada de pneus diante da entrada é a vitrine da ocupação. De que realmente servirá, caso cheguem brutamontes bem treinados e equipados, que têm a violência como realidade cotidiana? Quase nada. Mas, os símbolos têm papel importante nas batalhas em que o grande objetivo estratégico é a conquista de corações e mentes.

Diante da única porta de entrada, alguns estudantes do esquema de segurança fazem a triagem dos visitantes. Basta ter uma carteirinha de aluno ou professor da USP para entrar sem problemas. Como não sou uma coisa nem outra, levo alguns minutos para convencê-los de que não vim brincar de 007.

Como credencial, apresento meu livro Náufrago da Utopia, que por acaso trago comigo. Agrada-lhes o caderno iconográfico, com muitas fotos do movimento estudantil de 1968. Meio convencidos de minhas boas intenções, deixam que eu vá parlamentar com a Comissão de Comunicação (ou rótulo que o valha). Acompanhado, por enquanto.

Lá decidem que eu posso circular à vontade pela reitoria ocupada, liberando meu cicerone/vigia para outras tarefas. Uns 15 estudantes rodeiam meia dúzia de computadores, uns digitando e os outros palpitando.

Cuidam de manter o blog da ocupação no ar, de selecionar e imprimir textos que serão expostos nos quadros de avisos e paredes. E também de mandar mensagens de esclarecimento aos jornalistas que falam mal da ocupação. [Como se isso adiantasse. Tirando honrosas exceções, a imprensa se colocou contra os estudantes, às vezes dissimuladamente, outras da forma mais panfletária e caluniosa, como fez a Veja São Paulo, que os acusou de “vândalos”, “baderneiros” e “arruaceiros”.]

A diferença mais marcante em relação às ocupações antigas é, exatamente, o esquema de comunicação sofisticado da atual, incluindo TV por Internet e “rádio livre”. De resto, sinto-me como se tivesse entrado num túnel do tempo e desembarcado naquele mês de julho de 1968 em que a Faculdade de Filosofia da rua Maria Antônia (SP) esteve ocupada para servir como QG das iniciativas em apoio da Greve de Osasco, lançando a nova onda que (como agora) rapidamente se alastrou.

Os mesmos colchonetes espalhados por um salão em que repousam alguns sentinelas cansados, após a vigília da madrugada – período mais propício para uma operação policial, exigindo, portanto, cuidados redobrados (e muita disposição para enfrentar o frio).

Os mesmos jovens com roupas coloridas e brilho no olhar, convencidos de que estão fazendo História, embora alguns ainda sejam imberbes.

Os mesmos mosaicos de textos e imagens compondo um visual agradavelmente anárquico. [O pôster mais hilário é o do governador José Serra fazendo mira com um fuzil e os dizeres “José Serra, nada mais nos U.N.E.”. Que ingenuidade, deixar-se fotografar em pose tão incompatível com sua aura e seu passado!]

Sou capaz de apostar que, se fizesse uma “excursão” como a que estou fazendo, a reitorazinha teria chiliques, pois, à “anarquia criativa”, deve preferir os ambientes burocratizados, assépticos e sem vida, a julgar pelo que revela nas entrevistas: faz musculação, esteira e escova nos cabelos, usa terninhos de estilo clássico, quer corrigir pálpebras e bochechas com cirurgia plástica.

Deuses, o que faz uma farmacêutica numa posição dessas? Serão esses os temas que uma reitora deve tratar na imprensa, quando sua universidade vive a maior crise das últimas décadas? [De quebra, é uma ingênua que, a mando ou com autorização do governador, pede reintegração de posse e depois paga o mico de ver o mandado judicial descumprido, já que os estudantes não engoliram o blefe e Serra teme as conseqüências desse presumível confronto sobre suas ambições políticas.]

Apesar de toda a grita demagógica dos direitistas empedernidos e dos cristãos-novos do reacionarismo, não há sinais visíveis de depredação ou vandalismo. Aliás, os estudantes criaram um sem-número de comissões, para cuidar de cada detalhe “administrativo” da ocupação, zelando pelo patrimônio público. Até permitem que os faxineiros continuem cumprindo sua função de manter limpas as várias dependências, indiferentes ao “perigo” de que o “inimigo” possa infiltrar-se camuflado com macacões.

O que não funciona mesmo são os caixas eletrônicos de bancos, nos quais foram colados avisos de “sem dinheiro”. Uma fração infinitesimal da usura consentida pela Justiça e abençoada pelo sistema foi detida. Vem-me à lembrança uma música de Sérgio Ricardo, ídolo dos universitários responsáveis pelas ocupações de quatro décadas atrás: “Os bancos e caixas-fortes/ que eram rocha, se quebraram/ e um rio de dinheiro correu”.

À saída, lanço um último olhar a esses jovens belos, brilhantes e idealistas, aparentemente tão frágeis, mas dispostos a enfrentar a tropa de choque da PM, se isso for necessário. Espero, torço para que não venha a ser.

Volto para o mundo real da desigualdade, da competição e da ganância, depois de um breve reencontro com o faz-de-conta revolucionário. Ciente de que há um longo caminho a percorrer até que os voluntários da utopia voltem a ser em número suficiente para tentarem ir além do faz-de-conta.

E, mesmo assim, esperançoso, pois um passo importante está sendo dado, com esse renascer do movimento estudantil que ora se delineia. É tudo de que precisamos, a renovação e oxigenação da esquerda, depois de tantas desilusões e defecções.

As pedras voltam a rolar.

P.S. – Já me preparava para expedir este texto em várias direções quando foi anunciado que, "a pedido" dos reitores da USP, Unicamp e Unesp, bem como do presidente da Fapesp, Serra reformulou um e deu nova interpretação a outros quatro daqueles decretos contestados pelos estudantes, funcionários e professores por ferirem a autonomia universitária. Conseqüentemente, os “vândalos”, “baderneiros” e “arruaceiros” é que estavam certos. Seus detratores, se tivessem um mínimo de dignidade, lhes pediriam desculpas publicamente.

* Celso Lungaretti é jornalista e escritor. Mais crônicas e artigos em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/

Blog EntryComo se avalia a arte?May 1, '07 11:05 AM
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Dificilmente uma editora se dispõe a lançar um livro de um escritor desconhecido, a menos que ele tenha em seu currículo um certo reconhecimento obtido através de concursos literários. Músicos costumam participar de festivais musicais. Pintores e escultores começam expondo suas obras em feiras e exposições. Enfim, a grande quantidade de artistas querendo divulgar sua obra em um mundo onde só o dinheiro interessa aos empresários que vendem arte (ou pseudo-arte que só atende a apelos comerciais) nos traz um grande problema.

Mas, assim como as gravadoras fecham as portas para músicos talentosos e as abrem para qualquer Mc Qualquer Coisa ou Fulaninho dos Teclados que aparece, as editoras também costumam resistir a pubicar romances, crônicas, contos e principalmente poesias de escritores iniciantes, enquanto mantém suas portas abertas aos "escritores" de auto-ajuda.

O fato é que para se publicar um livro no Brasil, país onde as pessoas não têm o hábito da leitura e os livros costumam ser caros, o escritor iniciante, salvo raras exceções, precisa ter uma certa fama obtida através dos concursos literários. Porém, fica a pergunta: como se avalia um texto em um concurso literário?

Talvez o critério mais justo seja a originalidade, mas em concursos costumam aparecer vários trabalhos extremamente originais, e muitas vezes é impossível dizer qual deles é o mais original.

Outros critérios costumam ser usados, mas no final o que acaba prevalecendo mesmo é o gosto dos jurados. Um escritor de vanguarda, por exemplo, pode não ter suas inovações criativas apreciadas por jurados adeptos do velho lirismo.

A questão central é como se pode comparar um texto de Machado de Assis com um de Guimarães Rosa e dizer qual deles é o melhor. Qualquer crítico literário diria que isto é impossível, que cada autor possui seu modo de narrar uma estória, sua própria visão de mundo e sua própria escola literária. Mas então porque no caso dos concursos literários esta comparação é possível? Por que os desconhecidos podem ser tratados como iguais e os autores consagrados não podem? Nos concursos de poesia aparecem textos concretistas, clássicos, modernistas, etc. Como se pode compará-los e dizer qual deles é o "melhor"?

Sempre que me inscrevo em algum concurso literário medito sobre estas questões. Acredito que um prêmio em concurso nada tem a ver com a competência do escritor. O critério que as editoras têm para selecionar um obra baseando-se no "mérito" do autor em concursos literários segue a mesma lógica do Prof. Dr. José Antônio Brum, diretor do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), que uma vez dise em uma palestra: "para fazer estágio no Síncrotron eu exijo que o aluno tenha um bom CR (Coeficiente de Rendimento, uma média ponderada das notas do aluno), porque um aluno que tem CR baixo pode ser um bom estágiário, mas se o aluno tem CR alto eu tenho certeza de que ele será um bom estagiário".

Se todos os cientistas fossem como Brum, a ciência não teria tido Faraday. Se todas as editoras fechassem as portas para escritores rejeitados pelos críticos dos concursos literários, não teríamos tido Guimarães Rosa. Até quando esse pensamentozinho hipócrita pequeno-burguês prevalecerá?


Blog EntryAs duas faces do preconceitoApr 9, '07 11:11 AM
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Recentemente a ministra Matilde Ribeiro (foto), responsável pela Secretaria Especial de Política da Igualdade Racial, afirmou que "não é racismo quando um negro se insurge contra um branco". O mais preocupante não é conteúdo da frase em si, mas o fato de ter saído da boca de uma ministra cujo trabalho é justamente combater o racismo.

Há muitos movimentos de "negros" mundo afora que pregam a discriminação contra os "brancos". Muitas vezes estes grupos justificam suas ações alegando que só estão respondendo à discriminação dos "brancos" e que se não agirem dessa maneira abrem espaço para a ação de grupos racistas.

Mas não é só com relação ao racismo que episódios como esse acontecem: basta vermos os vários grupos feministas que pregam a superioridade da mulher ao invés de lutarem pela igualdade entre os sexos, ou pobres que discriminam ricos, ou grupos religiosos que discriminam quem não segue sua religião. O preconceito é sempre bilateral, desde um grave problema social como o racismo, até preconceitos incomuns, como o de certos vegetarianos que não aceitam o fato de outras pessoas comerem carne.

O mais curioso é que todos esses movimentos parecem estar se dividindo em dois caminhos: o do diálogo e o da intolerância.  Nenhum exemplo seria melhor para ilustrar este fato do que a questão religiosa: de um lado vemos sacerdotes de várias religiões se reunindo para fazer grandes atos ecumênicos buscando uma coexistência pacífica entre os diferentes credos. De outro, há algumas religiões radicais que se consideram "a religião certa" e pregam o ódio aos que não a seguem. Dentro de cada religião se nota o mesmo dilema: alguns fiéis aprovam o ecumenismo, enquanto outros preferem interpretar preconceituosamente a frase bíblica "separar o joio do trigo".

Me lembro de ter visto, há alguns anos, um documentário sobre a ação de uma ONG de inclusão social na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Na ocasião, uma moradora da favela, ao ser entrevistada afirmou que já havia sido contra os "playboys", afirmando que costumava discriminar os jovens que usavam "roupas de marca" porque se sentia discriminada por eles. Somente o trabalho da ONG a fez perceber que ela também tinha uma visão preconceituosa dos "playboys".

No caso dos movimentos anti-racismo, a ministra mais tarde justificou sua frase dizendo que o racismo "é natural, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou". Novamente, caímos na mesma lógica de discriminar quem nos discrimina. E a luta pela igualdade entre os homens continua. Cada um lutando à sua maneira: uns cometendo massacres étnicos, outros usando a lei de talião, e outros buscando o caminho mais sensato: diálogo e disposição para compreender uns aos outros.


LinkJosé SimãoFeb 13, '07 7:20 AM
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Link: http://noticias.uol.com.br/uolnews/monkey/programas/

Página do José Simão na internet, com os mesmos textos que ele escreve an Folha de São Paulo, mas com ilustrações bem interessantes e engraçadas. Infelizmente, parte do conteúdo é para acesso exclusivo dos assintantes da UOL. É o capitalismo dificultando o acesso à cultura.

Blog EntryPSDB, o inimigo da educação.Feb 6, '07 8:14 AM
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Um mês após assumir o governo do Estado de São Paulo, José Serra, em uma decisão extremamente democrática, decidiu, por um voto a zero, cortar ainda mais as verbas das universidades estaduais paulistas.

Desde a saída de Franco Montoro do governo do Estado, cada governador agiu exatamente como Serra, cortando verbas para a educação e desviando o dinheiro sabe-se lá para onde. Seu antecessor, Geraldo Alckmin, iludiu os reitores das universidades estaduais para aumentarem as vagas em suas universidades. Quando a Assembléia Legislativa de São Paulo (ALESP) decidiu aumentar as verbas das universidades possibilitando assegurar ensino de boa qualidade (e aumento de verbas para o ensino básico também), o governador simplesmente vetou a decisão dos representantes do povo paulista, julgando-se o dono da verdade.

Um partido que chama as pessoas pobres de "povão" (como se pôde ver na campanha de Alckmin à presidência da república no ano passado) não pode ser levado a sério. É um partido elitista, cujo objetivo básico é manter as massas ignorantes. Neste cenário, agora que, finalmente, as universidades públicas vão sendo, aos poucos, deselitizadas, o objetivo do PSDB é, mais do que nunca, transformar as melhores universidades do país em Unips públicas, enquanto os filhos de Serra, Alckmin, e da elite em geral estudarão na Europa, nos EUA, ou mesmo em universidades privadas brasileiras que exigem que o aluno tenha laptop e pague mensalidades de milhares de reais.

Quando FHC era presidente, encontrou uma maneira brilhante de aumentar o número de vagas no ensino superior sem gastar, criando a falsa impressão de ter investido nas universidades: elevou vários cursos técnicos ao status de cursos superiores (são os cursos de tecnologias). Alckmin aproveitou-se disso para criar as fatecs, que nascem como ervas daninhas em qualquer terreno, oferecendo ensino de qualidade discutível, com docentes sem qualificação e sem realizar atividades significativas de pesquisa e extensão. Um mero faz-de-conta.

É vergonhoso ver que SP vai na contramão do Brasil. Nos últimos anos, o governo federal criou novas universidades federais (muitas delas em SP) e aumentou as verbas para as universidades federais, além de contratar novos docentes. O PSDB diz que as medidas do governo Lula têm sido insuficientes, e de fato o são. Porém, Lula tem feito o oposto do governo tucano, investindo, na medida do possível, na melhoria do ensino superior público (e do ensino básico também, com o Fundeb). Em um país carente de investimentos em tantas áreas, não se pode esperar que de um dia para o outro as universidades estejam nadando em dinheiro. Mas, à medida que nossa economia cresce, parte do superávit é direcionado para a educação, enquanto em SP o dinheiro some em obras superfaturadas e mal feitas como a linha amarela do metrô e o rodoanel.

Leia mais.


Blog EntryA importância de usar paletó e gravata.Feb 4, '07 8:02 PM
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Ontem fui ao baile de formatura do meu amigo Ricardo. No convite estava escrito que deveríamos usar traje social completo. Porém, a comissão de formatura afirmou que o traje social completo não seria necessário e eu e alguns amigos fomos de traje social, porém sem paletó e gravata.

Na portaria os seguranças nos impediram de entrar, alegando que não estávamos adequadamente trajados. Após muita confusão e constrangimentos para os anfitriões da festa, finalmente o ingresso de pessoas "mal vestidas" foi admitido. Parece até a história do Clodovil que foi impedido de entrar no prédio do Congresso Nacional por ter errado o modelito e não usado gravata.

O caso do Clodovil, que foi parar nas revistinhas de fofoca como uma gafe, ilustra um pensamento atrasado da nossa sociedade. Clodovil iria assistir palestras para aprender a exercer com eficiência seu trabalho de parlamentar. Impedido de assistir às palestras, poderá ter dificuldades ao longo do mandato, de modo que toda a sociedade pode ser prejudicada por um pedaço de pano totalmente inútil.

No caso de uma sala escura e quase sem iluminação, como a da festa de ontem, de que adiantam os paletós escuros e as gravatas que ficarão na penumbra sem que ninguém os veja? E um homem deve ser julgado pelo que veste ou pelo seu caráter? Se em uma festa gravatas são mais importantes do que os convidados, deveriam convidar as gravatas ao invés das pessoas, e aconteceriam belos bailes onde só as gravatas entrariam e ficariam sentadas nas mesas bebendo vinho e conversando ou dançando a noite toda.

Vivemos em um país tropical, e ainda por cima estamos no verão. Mesmo de madrugada as temperaturas costumam ser muito altas para termos que usar paletós quentes e pouco confortáveis. Muitos convidados "nos trinques" simplesmente deixaram seus paletós em cima da mesa durante toda a festa, e não sentiram falta.

O homem inventou o paletó para se proteger do frio. Com o tempo passou a usá-lo em eventos sociais importantes. Porém, é sempre bom lembrarmos da utilidade das coisas. Um paletó serve para algo mais do que nos proteger do frio? E uma gravata serve para quê? Vivemos em um mundo que nos ilude com aparências e convenções sociais caducas. O capitalismo nos vende mentiras, nos faz comprar uma ferrari que atinge 300 km/h para usá-la na cidade onde não podemos passar de 60 km/h, ou então nos faz acreditar que é um pedaço de pano ao redor do pescoço que nos torna homens.

Clique aqui para ver as fotos da formatura.


Blog EntryQuando a bandeira brasileira ficar marromFeb 2, '07 10:27 AM
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No início do ano, como todos sabem, o governo federal apoiava a reeleição de Aldo Rebelo à presidência da Câmara. O outro candidato era o petista Arlindo Chinaglia. Parecia, à primeira vista, esquisito o apoio governista ao adversário de um candidato do mesmo partido, porém, é necessário lembrar que o PT precisa de apoio de outros partidos para poder governar e, sob esta ótica, faz sentido que o partido queira abrir mão da presidência da Casa, evitando uma concentração desnecessária de cargos importantes que comprometeriam a base aliada.
Foi nisso que os tucanos pensaram ao decidir apoiar Chinaglia, uma jogada de mestre que só não deu certo porque nossa mídia, bem como o próprio povo, não foi capaz de aceitar o fato do partido que representa a oposição a Lula estar apoiando um petista. Com isso, criou-se a necessidade do PSDB lançar candidato próprio somente para fazer cena.
Precisamos acabar com essa mentalidade idiota de oposição por oposição somente. Os políticos brasileiros precisam aprender a trabalhar unidos em um grande projeto de nação, a exemplo de outros países. Quando Lula assumiu o governo, decidiu manter alguns projetos do governo anterior que estavam dando bons resultados e a mídia o acusou de ser incapaz de propor outros programas e por isso se limitava a copiar FHC. Só mentes extremamente mesquinhas poderiam soltar tamanha verborragia fecal. O fato é que a maneira infantil de fazer oposição birrenta só tem contribuído para atrapalhar o desenvolvimento de nosso país. É graças a esta ideologia de que o governo precisar mudar tudo e a oposição precisa atrapalhar o governo a qualquer custo que nossa economia vive mudando de rumo e nosso país nunca é pensado para um futuro distante, mas somente para um mandato de quatro anos. O sonho de qualquer político brasileiro é fazer o Brasil crescer, digamos, 40 anos em 4, para o presidente entrar para a história como o novo JK, enquanto seu sucessor paga a conta da brincadeira.
A decisão inédita do PSDB de apoiar um petista, embora tenha sido tomada com objetivo e atrapalhar o PT, teve o mérito de nos mostrar um jeito novo de fazer política. A nossa imprensa marrom, controlada por meia dúzia de sanguessugas que vivem às custas da miséria do nosso povo, aproveitou para fazer propaganda contra o novo modo de fazer política. Se houver cooperação, o país progride e o poder dos coronéis da mídia diminui, já enquanto nossos governantes brigam, o país sofre.
Chinaglia venceu, afinal.


Blog EntryNew Deal à brasileiraJan 28, '07 12:47 PM
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         Parece-me ser típico da cultura brasileira importar experiências que deram bons resultados em outros países. Isso é bom, mas cada povo tem suas peculiaridades e necessidades específicas, por isso adaptações precisam ser feitas. É exatamente neste ponto que o PAC se mostra como um grande avanço em relação a pacotes econômicos adotados anteriormente.

         Os portugueses colonizaram o Brasil com o objetivo de explorar nossas riquezas. Como éramos apenas uma grande fábrica de açúcar e minérios, tudo o mais, inclusive os colonizadores e escravos, vinham do exterior, trazendo consigo tudo o que a colônia precisava, até as idéias. Nos acostumamos a importar não só bens materiais, mas também modelos. Deste modo, as escolas fundadas pelos jesuítas seguiam um modelo de educação europeu, os médicos e advogados vinham da Europa, até mesmo o império de D. Pedro I era uma vã tentativa de copiar um sistema de governo comum no velho mundo.

         O tempo passou e importamos a república. Nosso governo, desde então, sempre tentou importar modelos econômicos dos “çábios” economistas de Nova Iorque. Desta forma, ignoramos os problemas específicos tupiniquins e vimos nossa economia à deriva em um mar de dificuldades. Foi um grande erro. Os EUA, desde aquela época, já eram um país pronto. O Brasil ainda é um país em construção e necessita de muitos investimentos em infra-estrutura.

         É exatamente aí que entra o PAC, o novo plano do governo brasileiro que certamente corrigirá esta distorção. Importando modelos econômicos de países desenvolvidos, conseguimos criar um grande mercado consumidor, mas como não havia infra-estrutura, o jeito foi abrir nossas portas para o capital estrangeiro. Desse modo voltamos ao velho pacto colonial: vendemos matérias-primas para comprar o produto final.

         Através do PAC, o governo se compromete a investir em infra-estrutura. Essa garantia de infra-estrutura incentiva o investimento, pelo setor privado, em produção, gerando um crescimento sustentável por décadas: é a economia brasileira sendo pensada a longo prazo. Uma grande vantagem deste modelo é que o governo pode ter maior controle do crescimento econômico da nação, evitando que o PIB cresça muito mais do que os investimentos ou vice-versa.

         Getúlio Vargas se inspirou no New Deal de Roosevelt para industrializar nosso país. Deu tão certo que após um crescimento gigantesco nossa economia se estagnou. Foi então que JK assumiu a presidência e conseguiu superar a crise liberalizando nossa economia. Novamente nosso PIB cresceu rápido demais e se estagnou. Com o PAC, há um equilíbrio entre investimentos e crescimento. É exatamente este equilíbrio que possibilitará um crescimento duradouro.

         O PAC, em alguns aspectos, lembra o New Deal, mas é essencialmente adequado à realidade brasileira. Parece que finalmente aprendemos a adaptar experiências estrangeiras de sucesso à nossa realidade.


LinkBlog do MinoJan 25, '07 11:23 AM
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Link: http://z001.ig.com.br/ig/61/51/937843/blig/blogdomino/

Página de Mino Carta, com alguns artigos interessantes.

LinkLuis Nassif - EconomiaJan 25, '07 8:03 AM
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Link: http://luisnassifeconomia.blig.ig.com.br/

Blog do economista Luis Nassif, com bons textos sobre economia.

LinkConversa AfiadaJan 25, '07 7:44 AM
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Link: http://conversa-afiada.ig.com.br/

Excelente portal de notícias e opiniões do renomado jornalista Paulo Henrique Amorim, com análises críticas do que acontece no Brasil.

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