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Blog EntryPor dentro da Reitoria OcupadaJun 1, '07 4:41 PM
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Execelente texto do Celso Lungaretti, sobre a ocupação da reitoria da USP e a perseguição da mídia aos estudantes.

POR DENTRO DA REITORIA OCUPADA

Celso Lungaretti (*)

A última segunda-feira de maio é ensolarada, uma exceção no invernal outono paulistano. As pessoas ao redor da reitoria da Universidade de São Paulo, ocupada pelos estudantes desde o dia 3, mostram aquela animação habitual de quem reencontra o calor e o céu azul, após vários dias frios e cinzentos.

Conversam, brincam, confraternizam. Há líderes de servidores públicos se revezando num alto-falante para instruir/entreter quem chegou adiantado à reunião da categoria que terá lugar ali mesmo, ao ar livre. Ninguém parece preocupar-se com uma invasão da Polícia Militar, para cumprir o mandado de reintegração de posse concedido pela Justiça.

Uma barricada de pneus diante da entrada é a vitrine da ocupação. De que realmente servirá, caso cheguem brutamontes bem treinados e equipados, que têm a violência como realidade cotidiana? Quase nada. Mas, os símbolos têm papel importante nas batalhas em que o grande objetivo estratégico é a conquista de corações e mentes.

Diante da única porta de entrada, alguns estudantes do esquema de segurança fazem a triagem dos visitantes. Basta ter uma carteirinha de aluno ou professor da USP para entrar sem problemas. Como não sou uma coisa nem outra, levo alguns minutos para convencê-los de que não vim brincar de 007.

Como credencial, apresento meu livro Náufrago da Utopia, que por acaso trago comigo. Agrada-lhes o caderno iconográfico, com muitas fotos do movimento estudantil de 1968. Meio convencidos de minhas boas intenções, deixam que eu vá parlamentar com a Comissão de Comunicação (ou rótulo que o valha). Acompanhado, por enquanto.

Lá decidem que eu posso circular à vontade pela reitoria ocupada, liberando meu cicerone/vigia para outras tarefas. Uns 15 estudantes rodeiam meia dúzia de computadores, uns digitando e os outros palpitando.

Cuidam de manter o blog da ocupação no ar, de selecionar e imprimir textos que serão expostos nos quadros de avisos e paredes. E também de mandar mensagens de esclarecimento aos jornalistas que falam mal da ocupação. [Como se isso adiantasse. Tirando honrosas exceções, a imprensa se colocou contra os estudantes, às vezes dissimuladamente, outras da forma mais panfletária e caluniosa, como fez a Veja São Paulo, que os acusou de “vândalos”, “baderneiros” e “arruaceiros”.]

A diferença mais marcante em relação às ocupações antigas é, exatamente, o esquema de comunicação sofisticado da atual, incluindo TV por Internet e “rádio livre”. De resto, sinto-me como se tivesse entrado num túnel do tempo e desembarcado naquele mês de julho de 1968 em que a Faculdade de Filosofia da rua Maria Antônia (SP) esteve ocupada para servir como QG das iniciativas em apoio da Greve de Osasco, lançando a nova onda que (como agora) rapidamente se alastrou.

Os mesmos colchonetes espalhados por um salão em que repousam alguns sentinelas cansados, após a vigília da madrugada – período mais propício para uma operação policial, exigindo, portanto, cuidados redobrados (e muita disposição para enfrentar o frio).

Os mesmos jovens com roupas coloridas e brilho no olhar, convencidos de que estão fazendo História, embora alguns ainda sejam imberbes.

Os mesmos mosaicos de textos e imagens compondo um visual agradavelmente anárquico. [O pôster mais hilário é o do governador José Serra fazendo mira com um fuzil e os dizeres “José Serra, nada mais nos U.N.E.”. Que ingenuidade, deixar-se fotografar em pose tão incompatível com sua aura e seu passado!]

Sou capaz de apostar que, se fizesse uma “excursão” como a que estou fazendo, a reitorazinha teria chiliques, pois, à “anarquia criativa”, deve preferir os ambientes burocratizados, assépticos e sem vida, a julgar pelo que revela nas entrevistas: faz musculação, esteira e escova nos cabelos, usa terninhos de estilo clássico, quer corrigir pálpebras e bochechas com cirurgia plástica.

Deuses, o que faz uma farmacêutica numa posição dessas? Serão esses os temas que uma reitora deve tratar na imprensa, quando sua universidade vive a maior crise das últimas décadas? [De quebra, é uma ingênua que, a mando ou com autorização do governador, pede reintegração de posse e depois paga o mico de ver o mandado judicial descumprido, já que os estudantes não engoliram o blefe e Serra teme as conseqüências desse presumível confronto sobre suas ambições políticas.]

Apesar de toda a grita demagógica dos direitistas empedernidos e dos cristãos-novos do reacionarismo, não há sinais visíveis de depredação ou vandalismo. Aliás, os estudantes criaram um sem-número de comissões, para cuidar de cada detalhe “administrativo” da ocupação, zelando pelo patrimônio público. Até permitem que os faxineiros continuem cumprindo sua função de manter limpas as várias dependências, indiferentes ao “perigo” de que o “inimigo” possa infiltrar-se camuflado com macacões.

O que não funciona mesmo são os caixas eletrônicos de bancos, nos quais foram colados avisos de “sem dinheiro”. Uma fração infinitesimal da usura consentida pela Justiça e abençoada pelo sistema foi detida. Vem-me à lembrança uma música de Sérgio Ricardo, ídolo dos universitários responsáveis pelas ocupações de quatro décadas atrás: “Os bancos e caixas-fortes/ que eram rocha, se quebraram/ e um rio de dinheiro correu”.

À saída, lanço um último olhar a esses jovens belos, brilhantes e idealistas, aparentemente tão frágeis, mas dispostos a enfrentar a tropa de choque da PM, se isso for necessário. Espero, torço para que não venha a ser.

Volto para o mundo real da desigualdade, da competição e da ganância, depois de um breve reencontro com o faz-de-conta revolucionário. Ciente de que há um longo caminho a percorrer até que os voluntários da utopia voltem a ser em número suficiente para tentarem ir além do faz-de-conta.

E, mesmo assim, esperançoso, pois um passo importante está sendo dado, com esse renascer do movimento estudantil que ora se delineia. É tudo de que precisamos, a renovação e oxigenação da esquerda, depois de tantas desilusões e defecções.

As pedras voltam a rolar.

P.S. – Já me preparava para expedir este texto em várias direções quando foi anunciado que, "a pedido" dos reitores da USP, Unicamp e Unesp, bem como do presidente da Fapesp, Serra reformulou um e deu nova interpretação a outros quatro daqueles decretos contestados pelos estudantes, funcionários e professores por ferirem a autonomia universitária. Conseqüentemente, os “vândalos”, “baderneiros” e “arruaceiros” é que estavam certos. Seus detratores, se tivessem um mínimo de dignidade, lhes pediriam desculpas publicamente.

* Celso Lungaretti é jornalista e escritor. Mais crônicas e artigos em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/

Photo AlbumVisita do Jimes/ Vizito de Jimes (26 photos)Apr 23, '07 8:41 PM
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Visita do Jimes aos amigos de Campinas. Piquenique na Praça da Paz, na Unicamp com direito a fotos nossas imitando a Banda Supernova.
Vizito de Jimes al geamikojn de Campinas. Okazis piknikon en la Placo de Paco, en la Stata Universitato de Campinas. Mi kaj mia amikoj faris fotojn simila al la fotoj de la kovrilo de la KD de la Banda Supernova.

Blog EntryAs duas faces do preconceitoApr 9, '07 11:11 AM
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Recentemente a ministra Matilde Ribeiro (foto), responsável pela Secretaria Especial de Política da Igualdade Racial, afirmou que "não é racismo quando um negro se insurge contra um branco". O mais preocupante não é conteúdo da frase em si, mas o fato de ter saído da boca de uma ministra cujo trabalho é justamente combater o racismo.

Há muitos movimentos de "negros" mundo afora que pregam a discriminação contra os "brancos". Muitas vezes estes grupos justificam suas ações alegando que só estão respondendo à discriminação dos "brancos" e que se não agirem dessa maneira abrem espaço para a ação de grupos racistas.

Mas não é só com relação ao racismo que episódios como esse acontecem: basta vermos os vários grupos feministas que pregam a superioridade da mulher ao invés de lutarem pela igualdade entre os sexos, ou pobres que discriminam ricos, ou grupos religiosos que discriminam quem não segue sua religião. O preconceito é sempre bilateral, desde um grave problema social como o racismo, até preconceitos incomuns, como o de certos vegetarianos que não aceitam o fato de outras pessoas comerem carne.

O mais curioso é que todos esses movimentos parecem estar se dividindo em dois caminhos: o do diálogo e o da intolerância.  Nenhum exemplo seria melhor para ilustrar este fato do que a questão religiosa: de um lado vemos sacerdotes de várias religiões se reunindo para fazer grandes atos ecumênicos buscando uma coexistência pacífica entre os diferentes credos. De outro, há algumas religiões radicais que se consideram "a religião certa" e pregam o ódio aos que não a seguem. Dentro de cada religião se nota o mesmo dilema: alguns fiéis aprovam o ecumenismo, enquanto outros preferem interpretar preconceituosamente a frase bíblica "separar o joio do trigo".

Me lembro de ter visto, há alguns anos, um documentário sobre a ação de uma ONG de inclusão social na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Na ocasião, uma moradora da favela, ao ser entrevistada afirmou que já havia sido contra os "playboys", afirmando que costumava discriminar os jovens que usavam "roupas de marca" porque se sentia discriminada por eles. Somente o trabalho da ONG a fez perceber que ela também tinha uma visão preconceituosa dos "playboys".

No caso dos movimentos anti-racismo, a ministra mais tarde justificou sua frase dizendo que o racismo "é natural, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou". Novamente, caímos na mesma lógica de discriminar quem nos discrimina. E a luta pela igualdade entre os homens continua. Cada um lutando à sua maneira: uns cometendo massacres étnicos, outros usando a lei de talião, e outros buscando o caminho mais sensato: diálogo e disposição para compreender uns aos outros.


LinkJosé SimãoFeb 13, '07 7:20 AM
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Link: http://noticias.uol.com.br/uolnews/monkey/programas/

Página do José Simão na internet, com os mesmos textos que ele escreve an Folha de São Paulo, mas com ilustrações bem interessantes e engraçadas. Infelizmente, parte do conteúdo é para acesso exclusivo dos assintantes da UOL. É o capitalismo dificultando o acesso à cultura.

LinkBlog do MinoJan 25, '07 11:23 AM
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Link: http://z001.ig.com.br/ig/61/51/937843/blig/blogdomino/

Página de Mino Carta, com alguns artigos interessantes.

LinkLuis Nassif - EconomiaJan 25, '07 8:03 AM
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Link: http://luisnassifeconomia.blig.ig.com.br/

Blog do economista Luis Nassif, com bons textos sobre economia.

LinkConversa AfiadaJan 25, '07 7:44 AM
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Link: http://conversa-afiada.ig.com.br/

Excelente portal de notícias e opiniões do renomado jornalista Paulo Henrique Amorim, com análises críticas do que acontece no Brasil.

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