Rafael Henrique's posts with tag: literatura
Link: http://ambidestria.wordpress.com/Página do Ambidestria, projeto dos estudantes-escritores do IEL - Unicamp. Nesta página minha novela "A folia de reis" será publicada na forma de folhetim. A cada dia um texto novo de um autor diferente!!!
|  | Estudo do escritor Nélson Rodrigues. Homenagens à Sarah Passarella e ao Prof. Benedito Mathias. Amigo Secreto. |
 | Category: | Books | | Genre: | Other | | Author: | Djota Carvalho |
Passei um dia muito agradável lendo este livro recheado de idéias geniais (ou seriam saciais?). É uma leitura gostosa capaz de imergir qualquer pessoa no incrível mundo dos Sacis. É fascinante a maneira como o autor desenvolve a estória, dialogando com narrativas de outros autores e com acontecimentos como a final da Copa de 50, o ET de Varginha, a explosão de uma fábrica de fogos de artifício no nordeste, o furacão Catarina e tornado de Indaiatuba. Trata-se da primeira obra de Djota Carvalho, escritor que demonstra ser bastante competente e ter excelentes idéias, apesar de, na minha opinião, ainda precisar de um pequeno amadurecimento literário. Espero que ele dê continuidade à estória de Samanta Cidreira nos seus próximos livros. 
Dificilmente uma editora se dispõe a lançar um livro de um escritor desconhecido, a menos que ele tenha em seu currículo um certo reconhecimento obtido através de concursos literários. Músicos costumam participar de festivais musicais. Pintores e escultores começam expondo suas obras em feiras e exposições. Enfim, a grande quantidade de artistas querendo divulgar sua obra em um mundo onde só o dinheiro interessa aos empresários que vendem arte (ou pseudo-arte que só atende a apelos comerciais) nos traz um grande problema.
Mas, assim como as gravadoras fecham as portas para músicos talentosos e as abrem para qualquer Mc Qualquer Coisa ou Fulaninho dos Teclados que aparece, as editoras também costumam resistir a pubicar romances, crônicas, contos e principalmente poesias de escritores iniciantes, enquanto mantém suas portas abertas aos "escritores" de auto-ajuda.
O fato é que para se publicar um livro no Brasil, país onde as pessoas não têm o hábito da leitura e os livros costumam ser caros, o escritor iniciante, salvo raras exceções, precisa ter uma certa fama obtida através dos concursos literários. Porém, fica a pergunta: como se avalia um texto em um concurso literário?
Talvez o critério mais justo seja a originalidade, mas em concursos costumam aparecer vários trabalhos extremamente originais, e muitas vezes é impossível dizer qual deles é o mais original.
Outros critérios costumam ser usados, mas no final o que acaba prevalecendo mesmo é o gosto dos jurados. Um escritor de vanguarda, por exemplo, pode não ter suas inovações criativas apreciadas por jurados adeptos do velho lirismo.
A questão central é como se pode comparar um texto de Machado de Assis com um de Guimarães Rosa e dizer qual deles é o melhor. Qualquer crítico literário diria que isto é impossível, que cada autor possui seu modo de narrar uma estória, sua própria visão de mundo e sua própria escola literária. Mas então porque no caso dos concursos literários esta comparação é possível? Por que os desconhecidos podem ser tratados como iguais e os autores consagrados não podem? Nos concursos de poesia aparecem textos concretistas, clássicos, modernistas, etc. Como se pode compará-los e dizer qual deles é o "melhor"?
Sempre que me inscrevo em algum concurso literário medito sobre estas questões. Acredito que um prêmio em concurso nada tem a ver com a competência do escritor. O critério que as editoras têm para selecionar um obra baseando-se no "mérito" do autor em concursos literários segue a mesma lógica do Prof. Dr. José Antônio Brum, diretor do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), que uma vez dise em uma palestra: "para fazer estágio no Síncrotron eu exijo que o aluno tenha um bom CR (Coeficiente de Rendimento, uma média ponderada das notas do aluno), porque um aluno que tem CR baixo pode ser um bom estágiário, mas se o aluno tem CR alto eu tenho certeza de que ele será um bom estagiário".
Se todos os cientistas fossem como Brum, a ciência não teria tido Faraday. Se todas as editoras fechassem as portas para escritores rejeitados pelos críticos dos concursos literários, não teríamos tido Guimarães Rosa. Até quando esse pensamentozinho hipócrita pequeno-burguês prevalecerá?
Sizenando, a vida é triste
Está provado que acordar mais cedo faz o dia maior. Esta frase nao é minha, e desgraçadamente não consegui saber o nome de seu autor, pois acordei muito cedo, mas não o bastante cedo; quando liguei o rádio às 6:10 a aula já tinha começado; ouvi o programa até o fim, mas não fiquei sabendo o nome do professor. "La verando estas vera jardeno, plena de flôroi". Nunca estudei esperanto, mas suponho que a varanda ou o verão está com muitas flores no jardim; de qualquer modo é uma boa notícia, algo de construtivo.
Confesso que a certa altura mudei de estação; sou um espírito inquieto. A estação logo à direita dava telegramas de Argel, crise na França; fui mais adiante, sintonizei um bolero; tentei ainda outra, dizia anúncios; voltei para o meu jardim florido em esperanto.
O professor estava agora respondendo cartas de ouvintes. O Sr. Sizenando Mendes Ferreira, de Iporá, Goiás, escrevera dizendo que achara suas aulas muito interessantes e queria se inscrever entre seus alunos.
Sou um homem do interior, tenho uma certa emoção do interior, às vezes penso que eu merecia ser goiano. A manhã estava escura e chuvosa em Ipanema; e me comoveu saber que naquele instante mesmo, a um mundo de remotas léguas, no interior de Goiás, havia um Sizenando, brasileiro como eu, aprendendo que o "jardeno" está "plena de flôroi" - e talvez escrevendo isso em um caderno.
Não importa que neste momento haja milhões de brasileiros dormindo insensatamente, enquanto outros milhões tomam café ou banho de chuveiro ou já marchem para o trabalho, ou que minha amada Joana esteja neste minuto saindo da Sacha's e entrando no carro daquele "stompananto" de Botafogo. Eu e Sizenando cultivamos o jardim da cultura, "plena de flôroi"; nós somos, de certo modo, a elite do Brasil; amanhecemos em flor.
Então o professor, talvez estimulado pela atenção do ouvinte goiano, fez uma pequena dissertação sobre a utilidade do esperanto e tambem sobre a vantagem de acordar cedo. Está provado que acordar mais cedo faz o dia maior. Nao será uma frase muito sutil, mas é tão pura e bem-intencionada que poderá figurar no decálogo do escoteiro. No fundo deve haver alguma ligação entre o escotismo, o esperanto e acordar cedo. Eis uma falha de minha vida; nunca fui escoteiro; agora é tarde para quebrar coco na ladeira, mas talvez ainda seja tempo para aprender um pouco de esperanto; eu e Sizenando. "Tenho um amigo" - dizia o professor - "que me confessou que nunca ouvira o meu programa, pois dorme até tarde. Pois bem. Ele ontem acordou cedo e ouviu o meu programa. Disse-me que passou o dia inteiro com uma excelente disposição, achou o dia maior e mais útil, ficou realmente satisfeito."
O próprio professor estava satisfeito com a declaração de seu amigo; sentia-se isso em sua voz. Murmurei para mim mesmo que o golpe é este: todo dia acordar cedo, ouvir minha aula de esperanto e depois se houver alguma aula de ginástica pelas imediações topar também, "mens sana in corpore sano", no fim do mês os amigos vão ficar espantados, como o Braga está bem! Este pensamento me reconfortou; estendi a mão para pegar um cigarro na mesinha-de-cabeceira, mas fumei com um certo remorso. No fundo o esperanto deve ser contra o tabagismo, assim como é favorável ao escotismo.
"Mi estas bruna". Isto quer dizer: eu sou moreno. "Mi estas bruna", ó filhas de Jerusalém, dizia a Sulamita. A esta hora Joana deve estar no carro daquele palhaço, toda aconchegada a ele, meio tonta de uísque, vai para o apartamento dele - um imbecil que não sabe uma só palavra de esperanto! A vida é triste, Sizenando.
Rubem Braga - Rio, junho 1958.
Link: http://www.dominiopublico.gov.brBiblioteca digital mantida pelo governo brasileiro, onde imagens, sons, textos e vídeos em diversos idiomas são disponibilizados gratuitamente para download.
Digitala biblioteko de la Brazila gubernio, kiel oni povas elŝuti imagojn, sonorojn, tekstojn, kaj videojn in multajn lingvojn, inkluzive en esperanto. Tute senpagi!
 | Category: | Books | | Genre: | Science | | Author: | Bruno Bettelheim |
Obra muito interessante, bem escrita e com argumentos consistentes. Bruno Bettelheim, especialista em psicologia infantil, analisa criticamente os contos de fadas, mostrando as simbologias que falam diretamente ao inconsciente da criança, ajudando-a e encorajando-a a resolver seus conflitos emocionais. Esta obra nos mostra porque os contos de fadas nos fascinam tanto. Contudo, é indispensável ter um conhecimento básico de psicanálise para compreender o conteúdo da obra.
http://www.pazeterra.com.br/ 
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