Rafael Henrique's posts with tag: educação
Dizem que o urso bailarino do circo é treinado da seguinte maneira: colocam-no sobre uma chapa metálica quente ouvindo uma música tocar e a elevada temperatura da chapa faz com que o urso se mova como se estivesse dançando. Durante a apresentação, o urso, já treinado (leia-se traumatizado), ouve a música e imediatamente se lembra da chapa metálica quente sob seus pés, de modo que ele dança mesmo sem estar, de fato, sentindo suas patas queimarem. Este processo é tão traumatizante quanto o processo de adestramento de alunos utilizado pelo Instituto de Física "Gleb Wataghin", da Unicamp, que reproduz, de maneira um pouco mais cruel, a mesma ideologia adotada para o ensino de ciências exatas pela maioria das instituições de ensino superior brasileiras: o adestramento ao invés do ensino propriamente dito. No início do curso, talvez com o objetivo de evitar a evasão massiva de alunos, o instituto nos mostra um mundo novo: uma física extremamente conceitual que exige reflexão e uma base teórica sólida. Após certo tempo, ao invés de manter-se nessa trajetória, o curso muda radicalmente, se transformando em mero processo de adestramento que se resume em decoreba de fórmulas matemáticas que não se sabe de onde vem nem para que servem: é o urso sobre a chapa quente pulando em desespero sem saber porque. O processo de ensino-aprendizagem, velho conhecido dos estudantes de licenciaturas, mas desprezado pelos professores do IFGW, é um processo de troca, e não de transmissão de conhecimento como vem ocorrendo no IFGW. O professor, ao invés de incentivar o espírito investigativo do aluno, o despreza, reduzindo um dos cursos mais ricos filosoficamente que pode existir em mero processamento de algoritmos. Não deveria ser este o trabalho dos computadores? O físico deve ser, antes de mais nada, humano, e o homem é um ser que pensa. O computador não pensa, apenas processa algorítmos maquinalmente, da mesma maneira que os estudantes do IFGW. Fórmulas são decoradas e usadas para resolver listas de exercícios gigantescas. Pura repetição da mesmície. Como conseqüência disto, a evasão no curso de física é gigantesca e poucos conseguem se formar, mesmo licenciados, visto que, até 2005, todos os alunos que optavam por licenciatura recebiam formação de bacharel, apesar de não terem o título correspondente. Quem sofre são os estudantes de ensino médio que, ao invés de aulas de física, têm aulas-vagas, já que não há professores suficientes para ensiná-los e os quase-professores que sempre foram os melhores alunos de suas respectivas turmas de ensino médio e passaram em um dos mais concorridos vestibulares do país são considerados inaptos para dar aulas, mesmo quando só lhes faltam disciplinas como Física do Estado Sólido e Métodos Matemáticos para Física, que só reproduzem a chapa quente do urso e têm ementas distantes da realidade do ensino médio, não contribuindo em nada para a formação do professor. Quando urso e físico terminam seu processo de adestramento, ambos viram atração de circo.
Clássico experimento da física quântica chamdo Experimento da Fenda Dupla, que demostra o caráter dualístico da matéria, a qual pode se comportar tanto como partícula quanto como onda. A animação é com o personagem Dr. Quantum do filme "Quem Somos Nós? Uma Nova Evolução".
Através do trabalho de Albert Einstein, Louis de Broglie e de muitos outros, estabeleceu-se agora que os objetos pequenos, tais como átomos, têm a natureza de onda e de partícula. Somente a teoria quântica é capaz de explicar este aparente paradoxo. Import.flv (11.5 MB)

Execelente texto do Celso Lungaretti, sobre a ocupação da reitoria da USP e a perseguição da mídia aos estudantes.
POR DENTRO DA REITORIA OCUPADA Celso Lungaretti (*)A última segunda-feira de maio é ensolarada, uma exceção no invernal outono paulistano. As pessoas ao redor da reitoria da Universidade de São Paulo, ocupada pelos estudantes desde o dia 3, mostram aquela animação habitual de quem reencontra o calor e o céu azul, após vários dias frios e cinzentos. Conversam, brincam, confraternizam. Há líderes de servidores públicos se revezando num alto-falante para instruir/entreter quem chegou adiantado à reunião da categoria que terá lugar ali mesmo, ao ar livre. Ninguém parece preocupar-se com uma invasão da Polícia Militar, para cumprir o mandado de reintegração de posse concedido pela Justiça. Uma barricada de pneus diante da entrada é a vitrine da ocupação. De que realmente servirá, caso cheguem brutamontes bem treinados e equipados, que têm a violência como realidade cotidiana? Quase nada. Mas, os símbolos têm papel importante nas batalhas em que o grande objetivo estratégico é a conquista de corações e mentes. Diante da única porta de entrada, alguns estudantes do esquema de segurança fazem a triagem dos visitantes. Basta ter uma carteirinha de aluno ou professor da USP para entrar sem problemas. Como não sou uma coisa nem outra, levo alguns minutos para convencê-los de que não vim brincar de 007. Como credencial, apresento meu livro Náufrago da Utopia, que por acaso trago comigo. Agrada-lhes o caderno iconográfico, com muitas fotos do movimento estudantil de 1968. Meio convencidos de minhas boas intenções, deixam que eu vá parlamentar com a Comissão de Comunicação (ou rótulo que o valha). Acompanhado, por enquanto. Lá decidem que eu posso circular à vontade pela reitoria ocupada, liberando meu cicerone/vigia para outras tarefas. Uns 15 estudantes rodeiam meia dúzia de computadores, uns digitando e os outros palpitando. Cuidam de manter o blog da ocupação no ar, de selecionar e imprimir textos que serão expostos nos quadros de avisos e paredes. E também de mandar mensagens de esclarecimento aos jornalistas que falam mal da ocupação. [Como se isso adiantasse. Tirando honrosas exceções, a imprensa se colocou contra os estudantes, às vezes dissimuladamente, outras da forma mais panfletária e caluniosa, como fez a Veja São Paulo, que os acusou de “vândalos”, “baderneiros” e “arruaceiros”.] A diferença mais marcante em relação às ocupações antigas é, exatamente, o esquema de comunicação sofisticado da atual, incluindo TV por Internet e “rádio livre”. De resto, sinto-me como se tivesse entrado num túnel do tempo e desembarcado naquele mês de julho de 1968 em que a Faculdade de Filosofia da rua Maria Antônia (SP) esteve ocupada para servir como QG das iniciativas em apoio da Greve de Osasco, lançando a nova onda que (como agora) rapidamente se alastrou. Os mesmos colchonetes espalhados por um salão em que repousam alguns sentinelas cansados, após a vigília da madrugada – período mais propício para uma operação policial, exigindo, portanto, cuidados redobrados (e muita disposição para enfrentar o frio). Os mesmos jovens com roupas coloridas e brilho no olhar, convencidos de que estão fazendo História, embora alguns ainda sejam imberbes. Os mesmos mosaicos de textos e imagens compondo um visual agradavelmente anárquico. [O pôster mais hilário é o do governador José Serra fazendo mira com um fuzil e os dizeres “José Serra, nada mais nos U.N.E.”. Que ingenuidade, deixar-se fotografar em pose tão incompatível com sua aura e seu passado!] Sou capaz de apostar que, se fizesse uma “excursão” como a que estou fazendo, a reitorazinha teria chiliques, pois, à “anarquia criativa”, deve preferir os ambientes burocratizados, assépticos e sem vida, a julgar pelo que revela nas entrevistas: faz musculação, esteira e escova nos cabelos, usa terninhos de estilo clássico, quer corrigir pálpebras e bochechas com cirurgia plástica. Deuses, o que faz uma farmacêutica numa posição dessas? Serão esses os temas que uma reitora deve tratar na imprensa, quando sua universidade vive a maior crise das últimas décadas? [De quebra, é uma ingênua que, a mando ou com autorização do governador, pede reintegração de posse e depois paga o mico de ver o mandado judicial descumprido, já que os estudantes não engoliram o blefe e Serra teme as conseqüências desse presumível confronto sobre suas ambições políticas.] Apesar de toda a grita demagógica dos direitistas empedernidos e dos cristãos-novos do reacionarismo, não há sinais visíveis de depredação ou vandalismo. Aliás, os estudantes criaram um sem-número de comissões, para cuidar de cada detalhe “administrativo” da ocupação, zelando pelo patrimônio público. Até permitem que os faxineiros continuem cumprindo sua função de manter limpas as várias dependências, indiferentes ao “perigo” de que o “inimigo” possa infiltrar-se camuflado com macacões. O que não funciona mesmo são os caixas eletrônicos de bancos, nos quais foram colados avisos de “sem dinheiro”. Uma fração infinitesimal da usura consentida pela Justiça e abençoada pelo sistema foi detida. Vem-me à lembrança uma música de Sérgio Ricardo, ídolo dos universitários responsáveis pelas ocupações de quatro décadas atrás: “Os bancos e caixas-fortes/ que eram rocha, se quebraram/ e um rio de dinheiro correu”. À saída, lanço um último olhar a esses jovens belos, brilhantes e idealistas, aparentemente tão frágeis, mas dispostos a enfrentar a tropa de choque da PM, se isso for necessário. Espero, torço para que não venha a ser. Volto para o mundo real da desigualdade, da competição e da ganância, depois de um breve reencontro com o faz-de-conta revolucionário. Ciente de que há um longo caminho a percorrer até que os voluntários da utopia voltem a ser em número suficiente para tentarem ir além do faz-de-conta. E, mesmo assim, esperançoso, pois um passo importante está sendo dado, com esse renascer do movimento estudantil que ora se delineia. É tudo de que precisamos, a renovação e oxigenação da esquerda, depois de tantas desilusões e defecções. As pedras voltam a rolar. P.S. – Já me preparava para expedir este texto em várias direções quando foi anunciado que, "a pedido" dos reitores da USP, Unicamp e Unesp, bem como do presidente da Fapesp, Serra reformulou um e deu nova interpretação a outros quatro daqueles decretos contestados pelos estudantes, funcionários e professores por ferirem a autonomia universitária. Conseqüentemente, os “vândalos”, “baderneiros” e “arruaceiros” é que estavam certos. Seus detratores, se tivessem um mínimo de dignidade, lhes pediriam desculpas publicamente. * Celso Lungaretti é jornalista e escritor. Mais crônicas e artigos em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/
Um mês após assumir o governo do Estado de São Paulo, José Serra, em uma decisão extremamente democrática, decidiu, por um voto a zero, cortar ainda mais as verbas das universidades estaduais paulistas.
Desde a saída de Franco Montoro do governo do Estado, cada governador agiu exatamente como Serra, cortando verbas para a educação e desviando o dinheiro sabe-se lá para onde. Seu antecessor, Geraldo Alckmin, iludiu os reitores das universidades estaduais para aumentarem as vagas em suas universidades. Quando a Assembléia Legislativa de São Paulo (ALESP) decidiu aumentar as verbas das universidades possibilitando assegurar ensino de boa qualidade (e aumento de verbas para o ensino básico também), o governador simplesmente vetou a decisão dos representantes do povo paulista, julgando-se o dono da verdade.
Um partido que chama as pessoas pobres de "povão" (como se pôde ver na campanha de Alckmin à presidência da república no ano passado) não pode ser levado a sério. É um partido elitista, cujo objetivo básico é manter as massas ignorantes. Neste cenário, agora que, finalmente, as universidades públicas vão sendo, aos poucos, deselitizadas, o objetivo do PSDB é, mais do que nunca, transformar as melhores universidades do país em Unips públicas, enquanto os filhos de Serra, Alckmin, e da elite em geral estudarão na Europa, nos EUA, ou mesmo em universidades privadas brasileiras que exigem que o aluno tenha laptop e pague mensalidades de milhares de reais.
Quando FHC era presidente, encontrou uma maneira brilhante de aumentar o número de vagas no ensino superior sem gastar, criando a falsa impressão de ter investido nas universidades: elevou vários cursos técnicos ao status de cursos superiores (são os cursos de tecnologias). Alckmin aproveitou-se disso para criar as fatecs, que nascem como ervas daninhas em qualquer terreno, oferecendo ensino de qualidade discutível, com docentes sem qualificação e sem realizar atividades significativas de pesquisa e extensão. Um mero faz-de-conta.
É vergonhoso ver que SP vai na contramão do Brasil. Nos últimos anos, o governo federal criou novas universidades federais (muitas delas em SP) e aumentou as verbas para as universidades federais, além de contratar novos docentes. O PSDB diz que as medidas do governo Lula têm sido insuficientes, e de fato o são. Porém, Lula tem feito o oposto do governo tucano, investindo, na medida do possível, na melhoria do ensino superior público (e do ensino básico também, com o Fundeb). Em um país carente de investimentos em tantas áreas, não se pode esperar que de um dia para o outro as universidades estejam nadando em dinheiro. Mas, à medida que nossa economia cresce, parte do superávit é direcionado para a educação, enquanto em SP o dinheiro some em obras superfaturadas e mal feitas como a linha amarela do metrô e o rodoanel.
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Link: http://www.dominiopublico.gov.brBiblioteca digital mantida pelo governo brasileiro, onde imagens, sons, textos e vídeos em diversos idiomas são disponibilizados gratuitamente para download.
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 | Lernu! | Jan 26, '07 7:42 AM for everyone |
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