A tal "crise aérea" nada mais é que uma manobra de uma mídia golpista que transforma acontecimentos banais em shows de sensacionalismo.
Ao contrário do que diz a mídia, a infra-estrutura aeroportuária não parece ser responsável pela tal "crise", afinal, essa tal "crise" começou da noite para o dia e, se o problema fosse estrutural, os atrasos nos vôos deveriam começar lentamente, demonstrando um processo de saturação dos aeroportos e da capacidade do controle de tráfego aéreo. Em outras palavras, a quantidade de aviões em certo aeroporto não vai dobrar da noite para o dia, portanto, não se justifica com tal argumento o fato de um dia termos tudo tranqüilo nos aeroportos e, de repente, termos filas enormes e passageiros sem conseguir embarcar.
O fato é que a tal "crise" começou justamente quando a Varig encerrou suas atividades, deixando um vazio enorme nos nossos aeroportos, um buraco a ser preenchido pelas demais empresas de aviação, especialmente pela Gol e pela TAM. As empresas aéreas, para receber os passageiros que antes viajavam pela Varig, criaram novas linhas sem haver muito planejamento. Adiciona-se a este fato o costume dessas empresas de fazer escalas nas linhas menos movimentadas visando maximização dos lucros. Como toda essa modificação gigantesca nos horários dos vôos teve que ser feita ás pressas, houve pouco planejamento e, conseqüentemente, foi gerado o caos.
Não vou negar que parte desta culpa é da ANAC, que é responsável pela homologação destas mudanças. Porém, cabe às empresas aéreas a maior parte da culpa. A mídia golpista que não esconde sua desaprovação ao presidente Lula foi logo dando um jeito de empurrar toda a culpa para cima do governo. Um exemplo recente são as notícias do aumento das vendas de passagens de ônibus. Ora, todo mundo sabe que julho é época de férias para muita gente e sempre teve aumento das vendas de passagens de ônibus nesta época do ano, especialmente na semana passada, quando as férias estavam acabando.
Quanto ao excesso de trabalho dos controladores de vôo e à obsolência dos equipamentos usados por eles, é um problema muito antigo, mas que, estranhamente, só ganha espaço na mídia quando há algum acidente aéreo. Acredito que a segurança dos vôos no Brasil é um tema de interesse público e deveria ter espaço constante na mídia, no entanto, no Brasil a mídia só se lembra destes problemas em momentos de tristeza e revolta, quando a sociedade está em busca de um bode expiatório e aceita com facilidade a idéia de culpar o governo. Este fato chega ao absurdo quando vemos na tv, uma semana após o acidente com o avião da TAM, a denúncia de que há vários prédios irregulares ao redor de aeroportos do país. Onde estavam os repórteres quando as prefeituras autorizaram as contruções? Eles não têm um compromisso de denunciar irregularidades à sociedade? Essa forma de jornalismo irresponsável só prejudica o desenvolvimento do Brasil.
Para piorar, vemos repórteres que nada sabem sobre aviões a não ser que eles possuem asas discutindo detalhes técnicos das aeronaves e dando palpites sobre a tal "crise", palpites estes que nada mais são do que misturas de clichês com conceitos intuitivos tecnicamente errados. No entanto, a mídia brasileira, que há muito tempo deixou de informar para servir como meio de manipulação da opinião pública, quer usar seu poder para arranhar a imagem do presidente Lula, que chega a ser chamado de ditador em uma coluna de jornal, sendo que Lula é um dos maiores ícones das Diretas Já e, ao contrário de FHC, não tenta abafar escândalos e CPIs e nem manda a tropa de choque bater em manifestantes, ao contrário do governador Serra que governa por decretos e se recusa a negociar com estudantes que ele, ex presidente da UNE, chama de baderneiros.
O mais estranho neste caso é que, aos olhos de um outsider, o governo de Lula pouco difere do de FHC, pelo menos no que diz respeito ao campo econômico. No entanto, a mesma mídia que sempre declarou amor a FHC e aos tucanos (e preservou a imagem do PSDB durante a tragédia do metrô), ataca Lula. Sempre mostraram FHC como o salvador da pátria. Já Lula é mostrado como um imcompetente que está levando o Brasil para o buraco.
A atuação da mídia golpista e elitista chega ao absurdo de chamar o eleitor de Lula de burro, como se pode notar claramente em certos jornais. Parece que o único motivo de tanto ódio a Lula é o fato de ele ser um intruso em Brasília, que sempre foi dominada por velhos caciques da nossa política que nasceram em berços de ouro e jamais se preocuparam com o povo. A elite se envergonha em saber que um operário que já passou fome e teve um dedo amputado enquanto trabalhava agora é presidente da república.
Mais ridículo ainda é a revolta da elite por causa dos "altos impostos, corrupção e impunidade". Eles são uns santos!
O Brasil precisa de um jornalismo responsável e comprometido com a verdade e a imparcialidade. Mas enquanto mantivermos nossa herança colonial de coronéis e aristocratas oportunistas, continuaremos sendo chamados de burros quando adotarmos opiniões não-fascistas e, especialmente, quando legitimarmos o direito à igualdade entre todos os cidadãos brasileiros. Nesse cenário, a internet surge como uma terceira via de comunicação, onde pessoas comuns, como eu, podem dar suas opiniões, ver no youtube tudo o que a globo se recusa a mostrar, ler o artigo que o estadão se recusa a publicar, enfim, conhecer também o outro lado da história.
Eu, assim como muitos brasileiros, já estou farto do colunismo da mídia. Talvez isto explique porque a internet está se tornando tão popular no Brasil.
Clique aqui para ler um excelente artigo de Marilena Chauí sobre a "crise aérea".
Clique aqui para ler um artigo de Paulo Henrique Amorim sobre o acidente da TAM