Blog EntryNew Deal à brasileiraJan 28, '07 12:47 PM
for everyone

         Parece-me ser típico da cultura brasileira importar experiências que deram bons resultados em outros países. Isso é bom, mas cada povo tem suas peculiaridades e necessidades específicas, por isso adaptações precisam ser feitas. É exatamente neste ponto que o PAC se mostra como um grande avanço em relação a pacotes econômicos adotados anteriormente.

         Os portugueses colonizaram o Brasil com o objetivo de explorar nossas riquezas. Como éramos apenas uma grande fábrica de açúcar e minérios, tudo o mais, inclusive os colonizadores e escravos, vinham do exterior, trazendo consigo tudo o que a colônia precisava, até as idéias. Nos acostumamos a importar não só bens materiais, mas também modelos. Deste modo, as escolas fundadas pelos jesuítas seguiam um modelo de educação europeu, os médicos e advogados vinham da Europa, até mesmo o império de D. Pedro I era uma vã tentativa de copiar um sistema de governo comum no velho mundo.

         O tempo passou e importamos a república. Nosso governo, desde então, sempre tentou importar modelos econômicos dos “çábios” economistas de Nova Iorque. Desta forma, ignoramos os problemas específicos tupiniquins e vimos nossa economia à deriva em um mar de dificuldades. Foi um grande erro. Os EUA, desde aquela época, já eram um país pronto. O Brasil ainda é um país em construção e necessita de muitos investimentos em infra-estrutura.

         É exatamente aí que entra o PAC, o novo plano do governo brasileiro que certamente corrigirá esta distorção. Importando modelos econômicos de países desenvolvidos, conseguimos criar um grande mercado consumidor, mas como não havia infra-estrutura, o jeito foi abrir nossas portas para o capital estrangeiro. Desse modo voltamos ao velho pacto colonial: vendemos matérias-primas para comprar o produto final.

         Através do PAC, o governo se compromete a investir em infra-estrutura. Essa garantia de infra-estrutura incentiva o investimento, pelo setor privado, em produção, gerando um crescimento sustentável por décadas: é a economia brasileira sendo pensada a longo prazo. Uma grande vantagem deste modelo é que o governo pode ter maior controle do crescimento econômico da nação, evitando que o PIB cresça muito mais do que os investimentos ou vice-versa.

         Getúlio Vargas se inspirou no New Deal de Roosevelt para industrializar nosso país. Deu tão certo que após um crescimento gigantesco nossa economia se estagnou. Foi então que JK assumiu a presidência e conseguiu superar a crise liberalizando nossa economia. Novamente nosso PIB cresceu rápido demais e se estagnou. Com o PAC, há um equilíbrio entre investimentos e crescimento. É exatamente este equilíbrio que possibilitará um crescimento duradouro.

         O PAC, em alguns aspectos, lembra o New Deal, mas é essencialmente adequado à realidade brasileira. Parece que finalmente aprendemos a adaptar experiências estrangeiras de sucesso à nossa realidade.


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